Título: O Grito do Silêncio das Cores I
Técnica: óleo sobre tela
Dimensão: 1,50 X 1,50m
Ano: 2021 e 2026
Title: The Scream of the Silence of Colors I
Tecnique: oil on canvas
Dimension: 60,0 X 60,0 in
Year: 2021 e 2026
Em maio de 2021, fazia pouco mais de dois meses que minha mãe havia se tornado estrela.
Eu acabara de assinar o contrato para expor no Museu Inimá de Paula. Mamãe, que na época era vereadora de Timóteo, foi a primeira pessoa a quem contei. Fiz questão de que ela reservasse aquele dia para estar comigo na exposição. Eu queria vê-la diante das minhas obras, testemunhando mais um capítulo da minha trajetória.
Mas a vida, às vezes, escreve outras histórias.
Naquele período, eu já não conseguia enxergar as cores como antes, nem pintar com a intensidade que elas sempre tiveram para mim. A ausência das cores era, de alguma maneira, a minha própria ausência — e também a ausência dela.
Foi então que criei cinco “obras irmãs”, todas em tons de azul, destinadas a ocupar uma parede principal de nove metros do museu. O azul tornou-se silêncio, saudade, memória. Era como se eu tivesse colocado naquelas telas tudo aquilo que não conseguia dizer.
Mais de cinco anos depois, guiado pelo coração e pelos meus guias, senti um chamado para revisitar essa história. Olhei novamente para aquelas obras e percebi que ainda havia algo a ser dito. Peguei os pincéis e repintei a obra, devolvendo às telas cores mais vivas, intensas e luminosas.
E foi nesse reencontro que algo se transformou.
A obra finalmente ganhou a alma da minha mãe.
As cores voltaram não apenas para a tela, mas também para mim. O azul da saudade e do amor, deu espaço à alegria, à vida e à memória. É a minha visão de mundo, construída ao longo de tantos anos, mas agora mais impactante, mais vibrante, mais viva — e, sobretudo, mais dela.
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